Esposas que tomaram gosto pela política por influência dos maridos partem para atuações independentes, construindo o próprio caminho.
Por Eúde Trindade e Tom Correia
“Por trás de um grande homem existe sempre uma grande mulher”. O ditado é antigo, mas já não é tão bem visto na sociedade contemporânea por um detalhe essencial: há pelo menos 30 anos, as mulheres começaram a sair da sombra de seus maridos, passando a desempenhar papeis de relevância em todos os setores. Na política não foi diferente. De primeiras-damas a potenciais candidatas à Presidência da República, a atuação feminina se consolidou no país ao enfrentar desde a resistência dentro da família até a discriminação de eleitores.
Um dos casais de maior destaque no cenário nacional em meados de 1980 era formado pelo atual senador Gérson Camata e pela deputada federal Rita Camata, ambos do PMDB do Espírito Santo. Ela chegou ao Congresso aos 26 anos e o fato de ser considerada jovem e bonita chamou a atenção da mídia na época. Hoje, com mais de vinte anos de atuação, seu papel é dissociado da imagem do marido. Dentre as leis aprovadas a partir de proposições de autoria da deputada, destaca-se o dispositivo que impede a discriminação da mulher no mercado de trabalho. Outra lei com origem em suas propostas, exige de empresas participantes de licitações do governo a comprovação de que não utilizam mão-de-obra infantil.
De Rosinha Matheus e Anthony Garotinho a Ciro e Patrícia Gomes, a lista de casais que militam (ou militaram) juntos em nome de uma causa é extensa. Em Salvador, além da deputada estadual Maria Luiza Barradas e do prefeito João Henrique, existem outros pares que desenvolveram carreiras políticas paralelas à vida conjugal. A deputada estadual pelo PMDB, Marizete Pereira (foto), 63, esposa do vice-governador Edmundo Pereira, foge um pouco da regra geral. Diferente das mulheres que entram na política pelas mãos do esposo, ela iniciou sua jornada estimulada pelo pai, Manoel Fernandes dos Santos. “Quando conheci meu marido, eu já atuava na política. Na verdade, meu pai foi o meu grande incentivador”, afirma. Em 2007, a deputada apresentou proposta de lei que prevê a proibição da exigência de carro próprio para candidatos às vagas de emprego oferecidas por empresas instaladas na Bahia. Ainda em trâmite na mesa das comissões, o projeto aguarda pauta de votação.
Um dos nomes que demarcaram o território feminino nas esferas do poder ainda durante o carlismo, Tércia Borges se destacou ao presidir as Voluntárias Sociais, chamando para si a responsabilidade de atuar com independência. Provável futura presidente do PR Mulher, partido atual do marido César Borges, a ex-primeira dama ainda não veio a público assumir sua intenção de disputar uma cadeira no Congresso em 2010. Tércia é uma das apostas do partido de oposição para formar uma bancada majoritária na tentativa de retornar ao poder.
Números na contramão - Mas todo esse destaque feminino independente não é ratificado pelos dados das atuais composições legislativas. Embora 52% da população brasileira seja composta pelas mulheres, estudo desenvolvido pela organização internacional União Interparlamentar aponta o Brasil como 104º país no mundo em participação política do gênero (ver box). Atualmente, o Senado possui sete mulheres entre os 81 que estão em exercício, o equivalente a 8,6%, enquanto no Congresso, 44 deputadas federais representam 8,5% dos parlamentares. No âmbito estadual a situação não é tão diferente: na Assembleia Legislativa da Bahia, 14% da bancada pertencem às deputadas. Já na Câmara de Vereadores de Salvador, das 38 cadeiras, seis são ocupadas por mulheres.
Por Eúde Trindade e Tom Correia
“Por trás de um grande homem existe sempre uma grande mulher”. O ditado é antigo, mas já não é tão bem visto na sociedade contemporânea por um detalhe essencial: há pelo menos 30 anos, as mulheres começaram a sair da sombra de seus maridos, passando a desempenhar papeis de relevância em todos os setores. Na política não foi diferente. De primeiras-damas a potenciais candidatas à Presidência da República, a atuação feminina se consolidou no país ao enfrentar desde a resistência dentro da família até a discriminação de eleitores.
Um dos casais de maior destaque no cenário nacional em meados de 1980 era formado pelo atual senador Gérson Camata e pela deputada federal Rita Camata, ambos do PMDB do Espírito Santo. Ela chegou ao Congresso aos 26 anos e o fato de ser considerada jovem e bonita chamou a atenção da mídia na época. Hoje, com mais de vinte anos de atuação, seu papel é dissociado da imagem do marido. Dentre as leis aprovadas a partir de proposições de autoria da deputada, destaca-se o dispositivo que impede a discriminação da mulher no mercado de trabalho. Outra lei com origem em suas propostas, exige de empresas participantes de licitações do governo a comprovação de que não utilizam mão-de-obra infantil.
De Rosinha Matheus e Anthony Garotinho a Ciro e Patrícia Gomes, a lista de casais que militam (ou militaram) juntos em nome de uma causa é extensa. Em Salvador, além da deputada estadual Maria Luiza Barradas e do prefeito João Henrique, existem outros pares que desenvolveram carreiras políticas paralelas à vida conjugal. A deputada estadual pelo PMDB, Marizete Pereira (foto), 63, esposa do vice-governador Edmundo Pereira, foge um pouco da regra geral. Diferente das mulheres que entram na política pelas mãos do esposo, ela iniciou sua jornada estimulada pelo pai, Manoel Fernandes dos Santos. “Quando conheci meu marido, eu já atuava na política. Na verdade, meu pai foi o meu grande incentivador”, afirma. Em 2007, a deputada apresentou proposta de lei que prevê a proibição da exigência de carro próprio para candidatos às vagas de emprego oferecidas por empresas instaladas na Bahia. Ainda em trâmite na mesa das comissões, o projeto aguarda pauta de votação.
Um dos nomes que demarcaram o território feminino nas esferas do poder ainda durante o carlismo, Tércia Borges se destacou ao presidir as Voluntárias Sociais, chamando para si a responsabilidade de atuar com independência. Provável futura presidente do PR Mulher, partido atual do marido César Borges, a ex-primeira dama ainda não veio a público assumir sua intenção de disputar uma cadeira no Congresso em 2010. Tércia é uma das apostas do partido de oposição para formar uma bancada majoritária na tentativa de retornar ao poder.
Números na contramão - Mas todo esse destaque feminino independente não é ratificado pelos dados das atuais composições legislativas. Embora 52% da população brasileira seja composta pelas mulheres, estudo desenvolvido pela organização internacional União Interparlamentar aponta o Brasil como 104º país no mundo em participação política do gênero (ver box). Atualmente, o Senado possui sete mulheres entre os 81 que estão em exercício, o equivalente a 8,6%, enquanto no Congresso, 44 deputadas federais representam 8,5% dos parlamentares. No âmbito estadual a situação não é tão diferente: na Assembleia Legislativa da Bahia, 14% da bancada pertencem às deputadas. Já na Câmara de Vereadores de Salvador, das 38 cadeiras, seis são ocupadas por mulheres.
O G-8 da participação mundial da mulher na política
| País Congresso Senado |
| 1º Ruanda 56.3% 34.6% |
| 2º Suécia 47% * |
| 3º África do Sul 44.5% 16% |
| 4º Cuba 43.2% 29.6% |
| 5º Islândia 42.9% * |
| 6º Finlândia 41.5% * |
| 7º Holanda 41.3% * |
| 8º Dinamarca 38% * |
Fonte: www.ipu.org
(*) Não há bancada do Senado nos países nórdicos
Matéria publicada no site www.politicahoje.com.br no dia 16/08/09



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